
Desde a antiguidade, o ser humano vem tentando proteger suas construções da ação do tempo (intempéries), os povos romanos e demais no decorrer da nossa história evolutiva, recorreram a diversas técnicas de proteção, como o óleo de baleia utilizado como plastificante e auxiliar no assentamento de pedras ou tijolos, visando a obtenção de elementos estruturais menos permeáveis.
Atualmente, existe uma variada gama de materiais e técnicas de impermeabilização, cada qual específica para um determinado uso, mas todos desenvolvidos basicamente para evitar a ação indesejada da água nas construções. Uma coisa é certa, planejar antes e realizar a impermeabilização durante as distintas fases de uma obra é mais fácil e econômico do que realizá-la após o seu término onde surgirão os diversos problemas com a umidade, deixando o imóvel em geral com aspecto desagradável e insalubre (manchas nos revestimentos, mofo, etc.) além da oxidação nas armaduras estruturais.
Decisões erradas de execução e a falta de um profissional responsável aumentam em muito as chances de problemas de umidade surgirem, são exemplos básicos:
Umidade ascendente (de baixo pra cima), é a umidade vinda do solo por meio do fenômeno da capilaridade. A água sobe pelos elementos estruturais e de vedação (fundação, laje e tijolos, geralmente até uma altura de 60cm ou mais), que não receberam a devida proteção impermeabilizante e vai fazendo estrago no decorrer da vida útil da construção, agravada mais em dias de chuva. Em casos de pavimentos enterrados ou semi-enterrados, como estacionamentos de prédios, esse tipo de umidade pode apresentar-se lateralmente tambem, se as contenções que seguram o terreno não forem devidamente protegidas.
Um exemplo básico é que muitos empreiteiros conduzem obras sem a presença de arquitetos ou engenheiros, oferecendo técnicas de execução mais rápidas, como a laje tipo lastro, que (de uma forma genérica) é um contrapiso moldado diretamente sobre o terreno compactado, digo contrapiso, pois esta "laje" não possui a devida armadura e é moldada preenchendo os espaços entre as fundações mais superficiais (cintas). E, como a mesma está assentada diretamente sobre o terreno, fatalmente no decorrer dos anos, ela apresentará problemas específicos de impermeabilização.
Umidade descendente (de cima pra baixo), comum em lajes superiores que por execução errada ou por não possuir impermeabilização permite a passagem da umidade para níveis inferiores, cujo exemplo mais comum acontece em box de banheiro e outros pisos frios em áreas molhadas, assim como em terraços descobertos ou até mesmo cobertos por telha
Umidade por condensação, se forma quando o ar úmido se condensa em superfícies frias como paredes de áreas molhadas, espelhos, janelas, atrás e dentro dos armários, no teto ou em lugares onde há pouca circulação de ar. É a mais fácil de ser combatida, mas geralmente acontece em construções mal planejadas, com ventilação inadequada nos ambientes em que ocorre o problema; Em construções térreas, a grande parcela da população é seduzida por economias de variadas formas, tanto a monetária quanto o fator tempo contam muito, mas deve-se ter muito cuidado, pois a longo prazo o barato (nem tanto) pode sair (muito) caro!
Então, se seu interesse é construir ou reformar tenha em mente:
1. as fundações precisam e devem ser impermeabilizadas;
2. NUNCA assentar tijolos diretamente ou parcialmente sobre o terreno, os mesmos devem ser assentados sobre as estruturas de fundação (lajes, cintas, etc.), recomendando que seja impermeabilizado as 3 primeiras fiadas da base das paredes, internas e externas;
3. impermeabilizar os pisos, se for uma construção térrea, deverá ser toda unidade, se for pavimentos superiores, os mesmos cuidados deverão ser tomados para as áreas molhadas (banheiros, cozinhas, áreas de serviço, varandas, etc.);
4. proteger as paredes externas com impermeabilizantes específicos para intempéries (ação das chuvas, sol, ventos e etc.);
5. impermeabilizar as lajes superiores, levando-se em conta se haverá cobertura (telhas) ou não. Em caso de telha, o mais seguro é impermeabilizar o entreforro (espaço entre o telhado e a laje) com impermeabilizante similar aos das áreas molhadas, e quando for terraço descoberto usar manta asfáltica, e em ambos os casos será necessário que a solução impermeabilizante seja coberta por contrapiso (proteção mecânica) e no caso da manta, seja feito teste de estanqueidade, antes da colocação da proteção mecânica, afim de analisar possíveis falhas. As mantas devem ter espessura de acordo com as áreas de tratamento e devem ser instaladas, onde houver paredes, subindo-se no mínimo em 30cm;
6. jardineiras e áreas de reservatório d'água (caixas d'água, piscinas, etc.), tambem devem ser impermeabilizadas;
7. paredes dobradas (entre vizinhos) devem ser impermeabilizadas e devem prever rufos (elementos colocados sobre as faces superiores das paredes impedindo a entrada de água pelas frestas formadas entre as duas);
8. em caso de calhas de águas pluviais e outros pontos, onde não haverá passagem de pessoas, a impermeabilização poderá ser feita com manta específica.
Em caso de dúvida, estamos a disposição!!!!